
É segunda-feira. Falto à aula de FAD porque não consegui acabar de preparar o laboratório de FAD. Corro então para o INESC, torro a paciência a JG, bato com a mão na cabeça e chamo-me estúpida trinta vezes, chamo parva a TA e saio a correr. Dirijo-me então à recepção da Torre, peço ao segurança para ir ao NEEC que é urgente já que me esqueci de imprimir 30 diagramas de Bode para o laboratório e ouço ”Oh menina Maria agora não posso tenho que por o dedo no nariz, limpar a unha e depois logo se vê“. Faço um choradinho e lá vou eu. Chego depois ao dito do laboratório de FAD e o cenário é o habitual: cheira a integrado queimado, placa queimada, fio queimado, nada funciona à primeira, JG arranca mais uns cabelos, CT copia pelo do lado e chora perante JG dizendo que lhe roubaram o circuito, olho para o relógio cada vez que coloco um fio e respiro fundo para no final terminar invariavelmente o relatório no corredor porque a aula já acabou e não houve tempo para tudo. Chamo parva a TA.
Entro já na terça na aula de EITT. A malta chega tarde, começa-se a discutir, EH senta-se na mesa e faz poses estranhas, PD diz que o produto é barato, o telemóvel de AG diz “Cucus” e PD ameaça atirar-lho pela janela quando se apercebe que está na cave, JC faz contas de cabeça, RL faz logótipos, tudo enquanto EH corre as mesas e faz mais poses estranhas.
Mais um dia volvido e é hora da teórica de EPot. Chego à aula, tiro o caderno, desenho pacmans, mando meia dúzia de sms, olho para os acetatos, arranco os cabelos e rogo pragas aos rectificadores trifásicos mais aos rendimento e à série de Fourier. De seguida dirijo-me ao laboratório de EPot. JP tenta meter-me na cabeça à força o que é um disparo intempestivo de um tiristor e depois explica como funciona um conversor em ponte pela n-ésima vez. Eu e a malta medimos e tornamos a medir, damos porrada no osciloscópio que não mostra o resultado que estávamos à espera, olhamos para o relógio, JB tenta desenhar sinusóides perfeitas no relatório qual calculadora gráfica, refaço as ligações com a bancada ligada e JM sussurra “Tu ainda morres aí agarrada“.
Quinta-feira chego à porta da Torre e lá vai TA direita que nem uma tábua de passar a ferro caminho da aula de FAD. Entro na aula e 5 minutos depois a cabeça baloiça e eu estou a querer adormecer. Olho para o lado: uns roem as unhas, outros mexem no pc, uns mudam de penteado pela centásima vez, outros há que sonham com circuitos, qual Bela Adormecida a sonhar com o seu príncipe. Corro para o INESC e peço ajuda a JG para resolver o próximo laboratório de FAD. Este arranca mais uns cabelos e ameaça expulsar-me ao pontapé se pergunto mais uma vez como se calcula a largura de banda. Chamo parva a TA. Aula de PROE e MHM treme que nem gelatina, apaga e desapaga o quadro à velocidade da luz. Os colegas dizem piadas, eu estou a leste a desenhar pacmans no caderno quando Variações se revolta e ameaça matar todos aqueles que estão a perturbar com tiros de caçadeira. Laboratório de PSis depois e sempre o mesmo cenário: o enunciado é facílimo, eu faço o laboratório na boa e saio com um sorriso porque já sei programar…
Sexta-feira chego 10 minutos atrasada à aula de EPot e quando entro o quadro e a tela estão cheios de circuitos e mais circuitos, gráficos e mais gráficos, pelo que sinto que já perdi uma hora de aula. BB senta-se frente ao portátil, mostra um circuito qualquer na tela e aponta para o seu pc dizendo “Aqui está um tiristor estão a ver?“, ao que penso “Não stora, o seu pc ainda não é táctil“… Chego à aula prática de EPot mais uma vez atrasada e no quadro figura: circuito marado, conta maradas, equações diferenciais, valores médio e séries de Fourier até à morte. Pego no lápis, faço contas furiosamente, apago, calculo mais uns integrais e quando estou quase a descobrir a fórmula a stora diz “Oh Maria quero lá saber do valor final. Nem eu sei fazer essas contas. Eh pá não preparei a aula mas está a correr muito bem não está? Quando eu era da vossa idade…”.